Afonso Lopes Vieira.

Cancioneiro de Coimbra online

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non vir, trist'e coitado

serei, e gran pecado

fara", se me non val,

ca en tal ora nado

foi que, mao-pecado !

amo-a endoado

e nunca end'ouvi al !



140 Cancioneiro de Coimbra



GIL VICENTE. Para nao fragmentar demasiadamente
o texto, nao se incluiu entre os excerptos a passagem da
fala de Belicrasta na Comedia da Devisa da Cidade,
passagem comtudo saborosissima, por se dela ver que o
Auto foi representado na propria sala dos pa^os de Santa
Clara a velha onde Dona Ines foi morta :

Todos os Crastos procedem de mi,
forao d'antigamente mui leais :
mui poucos delles vereis liberais :
pola maior parte sao bons pera si.
As mulheres de Crasto sao de nouca fala,
fermosas e firmes, como saberes
pola triste morte de Dona Ines
a qual de constante morreo nesta sala.

No romance jogralesco da Farsa dos Almocreves (pig.
19 ) deve ler-se : Polos campos do Mondego .

JORGE DE MONTEM6R. O poeta nao se refere
directamente a Coimbra em seus versos, mas todo o drama
do seu amor se enleia nos saudosos campos onde el pas-
tor Portugues suspira d mulher amada : Passa, fer-
mosa pastora, a sesta a sombra destes salgueiros. . . Pentea,
fermosa pastora, os teus cabellos douro, que eu irey em
tanto a repastar teu gado... Por nos versos faltar a
localizacap, se nao incluiu esta Cantiga, todavia coimbra
pelo sentimento, pelo ritmo e pela cor, desse Coimbrao
saudoso em Castela :

Sospiros, minha lembran^a,
Nao quer porque vos nao vades,
Que o mal que fazem saudades
Se cure com esperanca.

A esperan9a nao me val
Por a causa em que se tern,
Nem promete tanto bem
Quanto a saudade faz mal.
Mas amor, desconfianca,
Me derao tal calidade,
Que nem me mata saudade,
Nem me da vida esperanca.



Cancioneiro de Coimbra 141



Errarao se se queixarem
Os olhos com que eu olhey,
Porque nao me queixarey
Em quato os seus me lembrarem.
Nem poderd aver mudunca
lamais em minha vontade,
Ora me mate saudade,
Ora me deyxe esperanc,a.



P. S. Animou-nos o ardente desejo de que este Can-
cioneiro ficasse como a mais bela antolpgia portuguesa,
h'rica e elegfaca. Rejeitdmos por isso muitas composi9oes
dos seculos XVH e xvui, entre elas algumas caracterfsticas
como quadros de costumes. Rejeitdmos todas as poesias
em castelhano, a comec^ar pela rabula do Mondego, de Si
de Miranda, e, com magua, o Soneto de D. Francisco
Manuel, em que o poeta pede ao rio Arunca que nao
diga ao Mondego, que sua desgrac.a essa ribeira habita .
Evitamos piedosamente que a Rainha Santa Isabel subissem
os versos gongoricos que tarn mal se ajustariam a linha
Primitiva da Santa.

Dos Romanticos a actualidade, so colaboraram antigos
coimbroes. Demos a" gera^ao ultra-romantica a represen-
tacao que estes poetas ontem ainda desdenhados
merecem pelo portuguesismo e pelo sentimento. Quere-
riamos, emfim, que este Cancioneiro fosse realmente
dparte raras inevitaveis passagens o devociondrio dos
amantes espirituais de Coimbra. A Coimbra do pitoresco
exterior, essa, e outra. E foi d Madonna que nbs quisemos
prestar culto.



Na 2.* linha da 2.* pdgina do Prefdcio, leia-se : embalancadas.

PAG. :>3. Leia-se, no i.* verso da 5.' estancia de Bras Garcia Bern
tenho a minha custa exprimentada .

PAG. 5.4. O 7. verso do Soneto de Manuel Tavares Cavalleiro, devc
ser lido : a Que o tormento, a que morre vinculada .

PAG. 60. Leia-se, no 7. verso : Magnanima confere.
PAG. 95. Na 3. 1 quadra, leia-se : Prateia monte e valle .



TABOADA



TABOADA



Prefacio 7

Garcia de Resende 1 1

Gil Vicente 17

Bernardim Ribeiro 20

Cristovam Falcao 21

Francisco de Si de Miranda 22

Luis de Camoes 29

Diogo Bernardez 36

Ignacio de Morais 87

Antonio Ferreira 87

Vasco Mousinho de Quevedo 44.

Francisco Rodriguez Lobo 46

Bras Garcia de Mascarenhas 52

Manuel de Azevedo 53

Manuel Tavares Cavalleiro 54

Fr. Jeronymo Vahia 54

Anonimo 55

Jo,ao Xavier de Mattos 55

Filinto Elysio 56

Bpcage 58

Nicolau Tolentino de Almeida 62

L P. de O Pinto da Franca 63

Antonio Ribeiro dos Santos 64

Almeida-Garrett 64

A. F de Castilho 69

Poetas do Trovador 77

Joao de Lemos 77

A. X R. Cordeiro 81

A Lima 82

A. M Couto Monteiro 8*

Antonio de Serpa 83



146 Taboada



F. de Castro Freire 86

J Freire de Serpa 87

F. Palha 88

A. A Scares de Passes 89

A Ayres de Gouvea 90

Thomaz Ribeiro 91

Amelia Janny g3

Joao de Deus 94

Theophilo Braga 95

Anthero de Quental 96

J Simoes Bias 97

Joao Penha 98

Gorxjalves Crespo 98

Conde de Sabugosa 100

Antonio Feijp 100

Manuel da Silva Gayo.. . 101

Alfredo da Cunha 106

Queiroz Ribeiro 107

Alberto Osorio de Castro 109

Camillo Pessanha no

Eugenio de Castro no

Antonio Nobre 112

Alberto d'Oliveira ii(>

Antonio H. de Mello (Toy) 118

D. Thomaz de Noronha 119

Guedes Teixeira 119

Augusto Gil 121

Domitilla de Carvalho 128

Affonso Lopes Vieira ia3

Estoria da Rainha Santa iz5

Romance de L)ona Ines 116

Os Estudos de Coimbra 128

Cantico das Freiras 1 29

Cantigas populares i3o

Addenda & Corrigenda 1 37



As Armas da Cidade de Coimbra foram desenhadas

para este Cancioneiro pelo professor

A. Convolves.



ACABOU-SE DE IMPRIMIR O
CANC1ONEIRO DE COIMBRA,
PELO NATAL DE CRISTO
DE 1917, EM A BELA E
NOBRE C1DADE QUE ELE
CELEBRA, E NA OFIC1NA DE
F. FRANgA AMADO.




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